Blogosfera Dinista prejudicando o Dinismo
Blogosfera Dinista prejudicando o Dinismo
Tem tese nova circulando nos bastidores da política maranhense. Daquelas que parecem ter saído direto de um grupo de WhatsApp às três da manhã. A ideia é simples, ou simplista demais, depende do humor do leitor, trocar a data do protocolo oficial pela data que alguém digitou no documento de Word. Pronto. Nasce ali uma “teoria revolucionária” do processo brasileiro. Só esqueceram de avisar o STF e a qualquer servidor de cartório que o protocolo deixou de existir.
A criatividade ganhou corpo no debate sobre a CPI que investiga denúncias contra o vice-governador Felipe Camarão. Setores alinhados ao chamado grupo dinista resolveram enxergar conspiração onde talvez só haja pressa, timing político e muita vontade de lacrar. Segundo a narrativa, se o documento tem uma data anterior, então tudo foi combinado antes. Uma espécie de viagem no tempo jurídica. O problema é que, no mundo real, processo se conta por protocolo, aquele carimbo frio e burocrático que define quando algo entrou oficialmente no sistema. Ignorar isso é como querer ganhar eleição contando voto de boca.
E é aqui que a ironia faz festa. Porque, seguindo essa lógica, a própria decisão do ministro Flávio Dino poderia entrar na roda. No caso da ação no STF sobre vaga no TCE, a decisão aparece datada no documento antes da petição do Solidariedade. Se a regra agora é acreditar na data do Word e não no protocolo, então teríamos um ministro decidindo antes mesmo de o pedido existir. Uma espécie de oráculo togado. Convenhamos, nem a ficção jurídica ousaria tanto.
No fim, a tal “tese criativa” parece aquele boomerang político mal arremessado. Vai com força, faz barulho, mas volta direto na testa de quem lançou. Ao tentar criar um enredo mirabolante contra a CPI, acabaram abrindo margem para questionar exatamente o que antes nem se falava, para os leitores segurem a decisão do Ministro “datada” antes do “protocolo do solidariedade”.



