Senado barra Jorge Messias e abre crise política para Lula na escolha do STF
Senado barra Jorge Messias e abre crise política para Lula na escolha do STF
O Senado Federal rejeitou, nesta quarta-feira (29), a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF), impondo ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma das mais expressivas derrotas políticas do ano.
A votação terminou com 42 votos contrários e 34 favoráveis, resultado insuficiente para garantir a aprovação do indicado, que precisava de pelo menos 41 votos favoráveis no plenário da Casa. A rejeição interrompe o avanço de Messias ao Supremo e obriga o Palácio do Planalto a reiniciar o processo de escolha para a vaga.
A derrota ganhou contornos ainda mais significativos porque, horas antes, Messias havia superado a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), etapa considerada decisiva para consolidar apoio político. No entanto, no plenário, a resistência se mostrou maior e expôs fissuras na base governista.
Nos bastidores, senadores da oposição e até setores independentes vinham demonstrando desconforto com o perfil político de Messias e com sua forte ligação histórica com os governos petistas, fator que pesou no resultado final.
A rejeição representa um recado político claro ao Planalto: o Senado quer ampliar seu protagonismo e mostrar independência diante das indicações para a Suprema Corte.
Agora, Lula terá de escolher um novo nome para preencher a vaga aberta no STF, em um ambiente político mais sensível e sob maior pressão por uma indicação que reúna menos resistência e maior capacidade de diálogo com o Congresso.
O episódio redesenha o cenário político em Brasília e pode influenciar diretamente a relação entre Executivo e Senado nos próximos meses, especialmente em votações estratégicas para o governo federal.