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Carlos Lula se expõe com questionamentos ridículos e sensacionalistas

Em pleno início de 2026, o deputado estadual Carlos Lula (PSB) voltou a passar vexame na cena política ao repercutir com tom inflamado um episódio isolado ocorrido na virada de ano na Avenida Litorânea, em São Luís. Dois policiais militares — um de folga e outro que não havia comparecido ao serviço — se envolveram em uma confusão motivada por um suposto assédio contra a esposa de um dos agentes. A troca de agressões resultou em tiros disparados que, felizmente, não atingiram terceiros em meio à multidão, mas resultou na morte de um dos próprios agentes envolvidos na confusão.

Apesar de se tratar de uma ocorrência estritamente entre os envolvidos, sem relação com a operação oficial de segurança do evento, Carlos Lula publicou em suas redes sociais uma série de perguntas retóricas com forte viés político: por que policiais armados estavam em meio à multidão? Por que um policial não estava em serviço? Como tiros foram disparados sem controle? E quem falhou no controle do evento?

Os questionamentos do deputado beiram ao sensacionalismo político, na tentativa de responsabilizar a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão (SSP) e colocar a opinião pública contra as forças policiais do estado. As perguntas sugerem uma causalidade inexistente entre um episódio particular e a gestão da segurança no estado — uma manobra vista como oportunista em um contexto de disputa política.

Especialistas em comunicação observam que a forma como perguntas foram colocadas extrapola uma legítima cobrança por respostas e adentra a esfera do espetáculo político, onde a narrativa é construída para efeitos midiáticos e não para a elucidação de fatos.

A crítica à postura de Carlos Lula se intensifica quando se analisa sua atuação anterior em relação a questões de segurança pública. Enquanto integrante da base política do então governador Flávio Dino (PSB) e defensor declarado de seu legado, Lula pouco ou nada questionou publicamente eventuais problemas ou episódios de violência e letalidade policial no estado, mesmo em períodos em que dados divulgados por redes de observatórios e anuários de segurança apontavam o Maranhão entre os estados com índices significativos de mortes por intervenção policial. Em alguns levantamentos acadêmicos e dados nacionais, o Maranhão figura em colocações de destaque no quesito letalidade policial, com número de vítimas por ações policiais superior à média de outros estados — um debate que ganhou corpo em análises técnicas, mas raramente repercutiu com a mesma intensidade nas críticas do deputado na época em que ele defendia a gestão Dino. 

Na Assembleia Legislativa e em entrevistas ao longo dos últimos anos, Carlos Lula foi enfático em defender o legado das políticas de Flávio Dino, inclusive na área de segurança pública, ressaltando, por exemplo, melhorias institucionais e combate a problemas crônicos; mas sem adotar um papel crítico aberto sobre casos de violência ou eventuais falhas no sistema. 

A diferença de tom entre o ato de contestar medidas de gestão de segurança pública no passado e a atual postura raivosa diante de um episódio isolado alimenta a narrativa de que o deputado estaria usando o caso para fins políticos e midiáticos, em vez de buscar uma abordagem séria e construtiva sobre segurança e disciplina institucional.

No centro do debate, está a pergunta que não se dissocia do ambiente político: criticar é dever de um parlamentar, mas explorar politicamente um incidente isolado — com repercussões sociais e institucionais limitadas — pode distorcer a percepção pública e ampliar conflitos desnecessariamente.

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